Polícia Audiência
Juiz mantém prisão de casal acusado de evenenar família e determina apuração de falso testemunho
Durante o interrogatório, Maria dos Aflitos negou participação nos crimes e responsabilizou De Assis pelas mortes dos netos e dos filhos. “Foi o De Assis que matou meus filhos, não tenho culpa na morte dos meus filhos, não tenho envolvimento. Sou totalmente inocente, estou pagando algo que não devo“, relatou. 
06/09/2025 08h36
Por: Redação Geral Fonte: cidade verde
Foto: TV Cidade Verde

Durante o interrogatório, Maria dos Aflitos negou participação nos crimes e responsabilizou De Assis pelas mortes dos netos e dos filhos. “Foi o De Assis que matou meus filhos, não tenho culpa na morte dos meus filhos, não tenho envolvimento. Sou totalmente inocente, estou pagando algo que não devo", relatou. 

Maria dos Aflitos ainda afirmou que só passou a desconfiar do ex-companheiro devido às mortes após o réveillon. “Dos meus dois netos, eu pensava mesmo que tinha sido do caju que a senhora tinha dado, mas depois ocorreu esse outro fato e estava errado, não foi a senhora. Comecei a desconfiar do De Assis”, completou.

Maria dos Aflitos ainda especulou sobre um suposto envolvimento entre o ex-companheiro e Jocilene, uma vizinha que também morreu com sintomas de envenenamento na casa da ré. "Eles conversavam muito escondido. Quando eu ia chegar perto para escutar a conversa, eles cortavam. Eles sempre andavam cochichando, sempre", disse. 

Quando Jocilene morreu, Francisco de Assis já estava preso como suspeito das mortes por envenenamento. Acusada pela morte da vizinha, Maria dos Aflitos negou mais uma vez a culpa pelo crime e afirmou que Jocilene e o ex-companheiro seriam os verdadeiros responsáveis pelas mortes. 

"A Joicilene, que se mostrava minha amiga quando ele foi preso, começou a passar mal. Andava muito nervosa, chegou na minha casa dizendo que estava com muito medo. Perguntei se ela tinha envolvimento com alguma cosa, mas ela não falava", finalizou. 

Assim como Maria dos Aflitos, Francisco de Assis também negou participação nos envenenamentos e fez acusações contra Jocilene, última vítima que morreu com sinais de intoxicação. "Suspeito o tempo todo dessa Jocilene. Quem chamou esse mototáxi que esteve aqui foi eu mais ela, levando o menino nos braços. Quando o menino começou a passar mal lá em casa, a Jocilene chegou junto. Parece combinado", relatou. 

Após a conclusão dos interrogatórios, o juiz Willmann Izac decidiu manter a prisão de Maria dos Aflitos e Francisco de Assis. Além disso, o magistrado acatou uma solicitação do Ministério Público (MP) e determinou que a Polícia Civil (PC-PI) abra um novo inquérito para apurar a suspeita de falso testemunho de uma das pessoas que prestaram depoimento sobre o caso. 

"Elas não estão julgadas, não é uma antecipação de pena, só que agente teve dois homicídios em agosto, cinco em janeiro e mais três tentados e depois mais um homicídio ainda em janeiro deste ano. Quer dizer, é uma reiteração criminosa que dá uma insegurança muito grande à sociedade, então mantenho a prisão das pessoas na perspectiva de resguardar a ordem pública da sociedade na perspectiva de evitar a reiteração criminosa", frisou.

Matéria original

A Justiça do Piauí realiza nesta sexta-feira (5) a audiência de instrução e julgamento do caso de envenenamento que provocou a morte de oito pessoas em Parnaíba, no litoral do estado. A sessão, marcada para as 9h, acontece na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba.

O processo apura o envenenamento de dez pessoas, em que oito morreram, sendo que sete pertenciam à mesma família e uma era vizinha. Outras duas vítimas sobreviveram, o que resultou também em acusações por tentativa de homicídio.

Os réus são Francisco de Assis Pereira da Costa, padrasto, e Maria dos Aflitos da Silva, avó e mãe das vítimas. Ambos respondem por oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio. O casal se tornou réu em março deste ano, está preso preventivamente em unidades prisionais de Teresina e foi transferido para Parnaíba a fim de participar da audiência.

Na última terça-feira (2), a perícia concluiu o laudo de sanidade mental de Francisco de Assis, solicitado pela Defensoria Pública do Estado. O documento apontou que ele está em plena capacidade mental e pode responder criminalmente pelos crimes dos quais é acusado.

Leia também: Envenenamento em Parnaíba: defesa não vai contestar laudo de sanidade mental

Com a conclusão do exame e a presença dos réus na comarca, a audiência deve finalmente ocorrer. A sessão, que estava inicialmente marcada para o dia 30 de julho, foi adiada para esta sexta-feira (5) porque o juiz responsável e as partes envolvidas entenderam que, sem o laudo e a presença física dos acusados, os trabalhos poderiam ser comprometidos.

Cronologia dos envenenamentos

As investigações revelaram que o casal utilizou terbufós, substância presente em agrotóxicos e também no veneno popularmente conhecido como "chumbinho", cuja comercialização é proibida no Brasil.

Os crimes ocorreram em três momentos distintos:

22 de agosto de 2024: foram mortos Ulisses Gabriel (8 anos) e João Miguel da Silva (7 anos), netos de Maria dos Aflitos. Na época, a vizinha Lucélia Maria chegou a ser presa suspeita, mas as investigações concluíram que o crime foi articulado por Francisco de Assis e Maria dos Aflitos.
Fotos: Arquivo Pessoal 

 

1º de janeiro de 2025: o veneno foi colocado no arroz servido no almoço da família. Morreram Manoel Leandro (18 anos), filho de Maria dos Aflitos; Maria Lauane (3 anos), Maria Gabriele (4 anos) e Igno Davi (1 ano), netos da acusada; além de Francisca Maria Silva (32 anos), filha da ré e mãe das cinco crianças.

22 de janeiro de 2025: Maria Jocilene da Silva (41 anos), ex-nora de Maria dos Aflitos, morreu após ser envenenada. Segundo a polícia, ela mantinha um relacionamento amoroso com a acusada.

Além das vítimas fatais, o casal também é acusado pela tentativa de homicídio contra Maria Jocilene da Silva, porque ela participou do almoço em família no dia 1º de janeiro e naquela ocasião conseguiu sobreviver, além da tentativa de homicídio contra uma adolescente de 17 anos e uma criança de sete anos.