O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (23), uma operação na zona Sul de Teresina contra suspeitos de integrar uma facção criminosa e de envolvimento em pelo menos cinco homicídios registrados na região do Grande Angelim.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e três homens foram presos. As investigações apontam que o grupo é suspeito de participação em diversos crimes violentos, incluindo o assassinato do adolescente Saimon Alexandre do Nascimento Roldão, de 17 anos, encontrado morto em estado avançado de decomposição em 1º de maio de 2025, o latrocínio de João da Cruz de Sousa Silva, ocorrido em 10 de dezembro de 2025, e o homicídio do cabeleireiro José Carlos, registrado em março do ano passado.
Segundo o delegado Danúbio Dias, do DHPP, os investigados já vinham sendo monitorados há meses e atuavam em bairros da zona Sul da capital.
“São seis mandados de prisão contra indivíduos membros do PCC que atuam na região do Grande Angelim, especificamente na região do Parque Vitória, do Mário Covas e do Conjunto João Paulo II. O departamento já vinha acompanhando esses indivíduos há um bom tempo, e todos eles que foram presos hoje já são investigados em outros homicídios, e isso em decorrência de uma guerra entre a facção PCC e o Bonde dos 40 nessa região. Em decorrência dessa desavença entre esses grupos, temos registrados pelo menos cinco homicídios”, afirmou.
Adolescente foi atraído, torturado e executado, aponta investigação
De acordo com o delegado, o adolescente Saimon Alexandre foi atraído sob um falso pretexto e submetido ao chamado “tribunal do crime”.
“Eles estão sendo presos hoje pelo envolvimento no assassinato do Saimon Alexandre. O Saimon foi assassinado no dia 30 de abril, e o corpo dele foi encontrado no dia 1º de maio sem vida e parcialmente carbonizado. A vítima foi atraída no dia 30 para que ele e um outro colega de facção dessem uma disciplina em um membro da facção. Só que, no entanto, essa desculpa que eles deram para ele foi para atraí-lo até determinado local, e lá o Saimon foi submetido a um tribunal do crime, foi interrogado, torturado, teve as mãos e os pés amarrados, foi levado para um terreno ermo e foi executado. Em seguida, parte desses indivíduos que foram presos hoje atearam fogo no adolescente”, relatou.
Ainda segundo o delegado, a motivação do crime estaria relacionada a desentendimentos internos na facção.
“O motivo pelo qual eles fizeram isso com o Saimon, segundo o departamento apurou até o momento, é porque o Saimon discordava da atuação deles. O Saimon não concordava com o fato de que esse grupo cometia recorrentemente assaltos ali na região, e ele alegava isso porque o pai já tinha tido duas motos roubadas”, disse.
Grupo também é suspeito de fornecer armas a adolescentes
As investigações apontam que o grupo criminoso também fornecia armas a adolescentes para a prática de crimes na região, incluindo o latrocínio que vitimou João da Cruz.
“Foi esse grupo criminoso que forneceu as armas para que aquele adolescente cometesse o assassinato contra o seu João da Cruz no dia 10 de dezembro. Então, há suspeita de que esse grupo criminoso, além de cometer esses homicídios e integrar facção criminosa, fornecia armas para adolescentes a fim de que esses adolescentes cometessem roubos ali na região, e o departamento vinha recebendo uma série de reclamações de que esses adolescentes estavam sendo aliciados por um desses indivíduos, que é o João Vitor”, afirmou.
Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com
Suspeito apontado como líder tentou destruir celular durante prisão
Durante o cumprimento dos mandados, um dos presos, apontado como liderança da facção na região e mandante do assassinato do cabeleireiro José Carlos, tentou destruir o próprio celular.
“Esse indivíduo é apontado como líder dessa facção na região do Angelim, e ele já foi preso outras vezes pelo Draco, e ele é apontado como mandante do assassinato do cabeleireiro José Carlos. Inclusive, ele foi preso e depois foi solto. Ele já assume que é liderança dessa facção PCC, e obviamente ele sabia que o celular forneceria muitos dados para o departamento e, obviamente, o envolvimento dele nos crimes da facção, tráfico de drogas e homicídios. Acredito que foi esse o motivo pelo qual ele quebrou ou tentou quebrar o celular”, disse.
Suspeito de executar cabeleireiro segue foragido
Um dos investigados segue foragido e é considerado de alta periculosidade.
“Temos o Jonas, que está foragido. Ele é apontado como integrante dessa facção e apontado como executor da vítima José Carlos. Ele é um indivíduo perigoso, já foi investigado em outros homicídios e agora tem mais um mandado de prisão expedido contra ele”, concluiu o delegado.
A DHPP segue em diligências para capturar o suspeito foragido e aprofundar as investigações sobre a atuação do grupo nos crimes