A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais desse domingo (25) foi seguida por uma forte turbulência no mercado financeiro.
Na segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após o resultado, o Ibovespa caiu 13,88%, encerrando o pregão aos 176.608 pontos. No mesmo dia, o dólar comercial avançou 8,21%, cotado a R$ 5,403.
A intensidade da queda levou a B3, responsável pela Bolsa de Valores brasileira, a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, que suspende temporariamente as negociações quando os mercados registram movimentos bruscos de desvalorização.
Foto: Reprodução/ Amanda Perobelli/Agência Brasil
Bolsa de valores
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O resultado eleitoral alterou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além da mudança no cenário político, as perspectivas para as contas públicas e para a condução econômica do novo governo voltaram ao centro das preocupações do mercado.
O recuo do Ibovespa foi o mais expressivo desde março de 2020, período marcado pelos impactos iniciais da pandemia de covid-19 nos mercados globais. Já a valorização diária do dólar foi a maior desde janeiro de 1999.
Histórico eleitoral mostra possibilidade de recuperação
O comportamento da Bolsa em eleições anteriores indica que as primeiras reações negativas não necessariamente se prolongam ao longo da semana seguinte ao resultado das urnas.
O Ibovespa registrou queda no primeiro pregão após quatro das seis eleições presidenciais realizadas entre 2002 e 2022. As exceções mencionadas foram as vitórias de Dilma Rousseff, em 2010, e de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022.
Apesar das perdas iniciais registradas em diferentes disputas, o índice terminou a primeira semana após o segundo turno em alta nos seis episódios analisados. Em 2014, por exemplo, a Bolsa recuou 2,77% na primeira sessão depois da eleição, mas acumulou avanço de 5,18% até o encerramento daquela semana.
BTG Pactual prevê novas oscilações
Em relatório publicado na segunda-feira, 26, o BTG Pactual estimou que o Ibovespa poderia recuar para aproximadamente 170 mil pontos nas semanas seguintes. A projeção representava uma queda de cerca de 17% em relação ao nível anterior à eleição.
A instituição financeira também calculou a possibilidade de desvalorização de 10% a 15% do real diante de outras moedas.
Na avaliação do banco, a continuidade do governo Lula poderia manter pressão sobre os juros de longo prazo e reduzir a margem para cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic.
O relatório apontou ainda que os próximos movimentos dos mercados dependerão, entre outros fatores, de indicações concretas sobre a política fiscal e da composição da equipe econômica. Esses elementos poderão influenciar a percepção dos investidores sobre as contas públicas e os rumos da economia brasileira.