
“Finada Alda”: uma potencialidade para o turismo religioso.
Prof. Assis Carvalho
Geógrafo e Esp. Em meio Ambiente especial para o Portal ibarras24horas
Vários municípios brasileiros e do mundo inteiro têm a sua economia fortalecida pelo turismo religioso, em especial no Nordeste brasileiro cujo povo é estigmatizado pelo excesso de fé e auto martírio para cumprir suas promessas aos seus santos protetores, viajando longas distâncias pela caatinga a pé, em lombo de animais ou em paus de araras. Vejam o exemplo de Canindé e Juazeiro do Norte, no Ceará, de Salvador com suas Igrejas barrocas e o sincretismo religioso, onde a fusão entre o catolicismo e religiões africanas disponibilizam aos turistas verdadeiros espetáculos sacros, como a Lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim e tantos outros eventos. No Piauí temos a peregrinação para Santa Cruz dos Milagres e em Oeiras, a procissão do Fogaréu.
No estado do Pará, a grande concentração de pessoas no Círio de Nazaré em Belém, chama a atenção da mídia nacional e internacional, em São Paulo há romarias para Aparecida do Norte. Essa pequena amostragem de alguns exemplos onde os municípios, de forma eficiente, aproveitam-se desse segmento da economia: o turismo religioso, para intensificar a fé e a religiosidade das pessoas, mas também, dinamizar suas economias, gerando emprego e melhorando a renda de grande parte da população. Esse tipo de turismo proporciona uma gigantesca rede de empreendimentos, seja na área hoteleira, de restaurantes, de postos de combustíveis, de borracharias, de oficinas mecânicas, do artesanato com confecções de souvenirs (lembranças) e do comércio formal e informal. Lembrando que na economia há uma lei que afirma o seguinte: para cada um emprego direto, são gerados seis indiretos.
Só para enfatizar o assunto em tese, o fluxo de turistas religiosos durante 11 dias das tradicionais romarias de São Francisco em Canindé, no Ceará, ultrapassa 1 milhão de visitantes e nos dias normais, passam por lá cerca de 5 mil pessoas, cada turista deixa para o município no mínimo R$ 20,00 per capta. A contribuição do turismo religioso para a economia de um município relativamente pequeno, encravado no semiárido nordestino, com poucas perspectivas para se desenvolver através da agropecuária, da indústria, do extrativismo e do comércio, esta oportunidade de alavancar o progresso, gerando emprego e renda é uma dádiva que alivia a responsabilidade dos gestores e favorece uma melhor qualidade de vida para seus munícipes.
Diante do exposto, o nosso município de Barras tem uma grande potencialidade para incrementar o turismo religioso! Além das festividades alusivas à nossa padroeira Nossa Senhora da Conceição e de outros padroeiros dos bairros da cidade e da zona rural, Barras tem, no consciente coletivo da população, uma devoção `a uma mulher considera por muitos como uma mártir, a Finada Alda, cuja história de sofrimento por causa de um acidente no dia de seu casamento, muitos atribuem ter alcançado milagres através de pedidos direcionados à ela.
“O acidente aconteceu em 09.07.1961. Após a cerimônia de casamento, a noiva era conduzida por um grupo de cavaleiros de volta ao seio familiar, em que se festejaria a nova vida que iniciava. Na altura da Ponte do Pesqueiro, o destino da recém-casada se transformaria. Colhida por ônibus, ela teria morte imediata. Desesperados, o esposo e os acompanhantes nada puderam fazer a não ser chorar. Essa é a história de Alda Rodrigues, a finada Alda, cujo drama de vida e a devoção dos moradores de Barras, no Piauí, tornaram-na um símbolo da fé“
Dilson Lages
Poderíamos intensificar esta devoção estruturando o município para receber romarias. No local do acidente da Finada Alda, onde atualmente tem uma pequena “gruta” para orações e acender velas, poderia ser construído um mirante com capela e estacionamento amplos, equipados com lojinhas de venda de souvenirs, lanchonetes e banheiros. Um lugar somente é considerado turístico, se tiver turistas, de nada adianta ter potencialidades turísticas e não haver fluxo de turistas, pois se faz necessário criar infraestruturas para receber bem este público alvo. É preciso ter oferta de linhas de ônibus, boas vias de escoamento (estradas), bons restaurantes e hotéis, agências bancárias, guias turísticos, pessoal capacitado (garçons, guias, taxistas...)
Após criar toda uma infraestrutura para receber os fluxos de turistas, organizar um calendário de festividades religiosas, inclusive elaborar um festejo para homenagear a Finada Alda (poderia ser o mês do seu acidente, de 1 a 9 de julho). O nosso município passaria a receber romarias e o fluxo dos turistas religiosos, proporcionaria uma grande demanda de serviços, desde a alimentação, hospedagens, ofinas mecânicas, borracharias, farmácias e comércio em geral, alavancando a economia, gerando vários empregos e melhorando a renda do nosso povo.