
A cúpula da Segurança Pública se reuniu na manhã desta terça-feira (13), na sede do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), para discutir o aumento dos homicídios nos útlimos dias em Teresina.
Entre sábado (10) e a madrugada desta terça-feira, foram registrados seis homicídios, sendo um de duplo homicídio.
A reunião contou com a participação do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Scheiwann Lopes; do delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko; do superintendente de Operações Integradas, delegado Matheus Zanatta; do comandante de Polícia Metropolitana, coronel Pitombeira; do comandante do Policiamento Especializado, coronel Alves; do coordenador do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), delegado Samuel Silveira; do coordenador do Departamento de Repressão a Roubo e Furto de Veículos (DRFV), delegado Marcelo Dias; do coordenador do Draco, Laércio Evangelista; do coordenador do DHPP, delegado Francisco Costa, conhecido como Barêtta.
Leia também: Vigilante morto e duplo homicídio: Teresina registra cinco homicídios em 2 dias
O delegado-geral Luccy Keiko afirmou que as reuniões entre as forças de segurança são constantes, mas admitiu que os casos recentes acenderam um alerta. Ele cobrou agilidade na resolução dos crimes.
“Lógico que no final de semana houve um número maior de homicídios. Durante o ano, ainda estamos com saldo melhor que o do ano passado, mas sempre tem que ligar um alerta. Então, aqui, por cobrança inclusive do nosso secretário, nós já fizemos a reunião cedo para traçar as metas para resolução rápida desses últimos crimes, mapeando as áreas e alguns detalhes que a gente não vai divulgar aqui. Então, agora mesmo, a gente já está com o contato mais intenso com o Poder Judiciário para que as cautelares sejam rapidamente expedidas nas investigações em andamento”, afirmou.
O delegado informou que terá uma nova reunião com o secretário de Segurança Pública ainda nesta terça-feira e destacou a integração entre as forças policiais. Segundo ele, as vítimas dos homicídios recentes são, principalmente, pessoas envolvidas com atividades criminosas.
Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com
Luccy Keiko
Keiko também afirmou que mudanças na legislação têm provocado demora na análise de medidas cautelares, após os pedidos relacionados a determinados crimes deixarem de ser apreciados pela Central de Inquéritos.
“Nós tivemos uma mudança legislativa que prejudicou um pouco nos últimos meses. Não é culpa de ninguém, não é Poder Judiciário, não é culpa do Ministério Público, não é culpa nossa. A Central de Inquéritos de Teresina era referência, foi uma das primeiras a serem criadas no Brasil. O juiz de garantias apreciava rapidamente todas as cautelares durante a fase de inquérito. Com a mudança legislativa, as cautelares referentes a crimes de homicídio e organização criminosa saíram da Central de Inquéritos e passaram a ser apreciadas pelo juiz da vara, que já é responsável pela instrução e pelo julgamento de todos os procedimentos, assim como a Vara de Organização Criminosa, que, além de julgar, tem que agora apreciar as cautelares”, explicou.
O delegado-geral afirmou que tem buscado alternativas para acelerar a análise dos pedidos.
“Eu estou agora praticamente fazendo um papel de intermediário da apreciação rápida das cautelares. As delegacias estão encaminhando os pedidos de cautelares para mim, e eu estou pedindo auxílio à Corregedoria do Tribunal e à Presidência do Tribunal, justamente para suprir nesse momento essa ausência, esse probleminha que houve quando a Central de Inquéritos deixou de apreciar cautelares de crimes de homicídio”, reforçou.
Investigações intensificadas contra facções
O delegado-geral destacou que as facções criminosas são monitoradas e que as forças de segurança realizam operações constantes no estado. Ele citou as ações adotadas após a circulação de mensagens em grupos de WhatsApp sobre uma possível integração entre facções criminosas.
“No sábado, por volta do meio-dia, nós já fizemos ações nos locais onde havia suspeita de ter algum problema, alguma morte. Fizemos buscas em várias residências, conseguimos prender uma pessoa, apreender uma arma de fogo e drogas. Na verdade, aquele alarme que foi divulgado nos grupos de WhatsApp não era tão verdadeiro assim. Mas a segurança não espera, então nós atacamos rapidamente a origem. A nossa comparação com o ano passado ainda é boa. Aqui todo mundo saiu com o seu dever de casa e agora nós vamos trabalhar junto ao Judiciário e ao Ministério Público para que as cautelares saiam rapidamente”, declarou Luccy Keiko.
Mais operações devem ser realizadas
O superintendente de Operações Integradas, Matheus Zanatta, afirmou que novas operações devem ser realizadas para identificar e prender os responsáveis pelos homicídios.
“Nós estamos trocando informações com as nossas inteligências para deflagrar novas operações com o intuito de prender os autores desses homicídios. As forças de segurança estão unidas e integradas para dar uma resposta firme com relação a esses homicídios que estão ocorrendo. Vamos trabalhar nas medidas cautelares para realizar novas operações, cumprindo mandados de busca e prisão”, afirmou.
PM reforça policiamento ostensivo
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Scheiwann Lopes, afirmou que o policiamento ostensivo será reforçado como parte da atuação integrada das forças de segurança.
“Estamos posicionados no terreno, construindo palcos. A nossa missão é institucional. É o policiamento ostensivo preventivo, ou seja, o nosso foco maior é prevenir o crime ou reprimir de imediato caso ele ocorra. Nós estamos aqui no DHPP pelo local escolhido. Por quê? Porque o crime principal é o homicídio. E todos os outros crimes são conexos com ele, o tráfico de drogas, a questão das facções criminosas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas. Ele tem a ver com a questão de domínio, com a questão de presença criminosa, de empoderamento, e vão desaguar justamente na questão dos homicídios”, declarou.
Mín. 21° Máx. 41°




