23°C 41°C
Barras, PI
Publicidade

Reportagem Especial:Compromisso com a verdade é principal arma do jornalismo

Manter o jornalismo livre de interesse é muito difícil, afinal comunicação é poder

20/03/2020 às 19h41
Por: Redação Geral Fonte: Medium.com.br
Compartilhe:
Portal
Portal

Indiscutivelmente o papel do jornalista é informar. Na maior parte das universidades, são quatro anos de formação acadêmica para que o profissional saia qualificado para o mercado, e apesar de sempre estarem se aprofundando nas teorias e inovando com tecnologia, o profissional ainda enfrenta dificuldades.

Todos os dias os profissionais da comunicação enfrentam monstros, debatem ética, fake news e pós-verdade.

No código de ética do jornalista os artigos são claros, explica-se a função do jornalista, mas analisando o primeiro artigo, os comunicadores já enfrentam dificuldades em praticar o bom e velho jornalismo de checagem e veracidade nas informações.

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:

I — a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica — se pública, estatal ou privada — e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.

O inciso I do artigo 2º pode ser um pouco libertador, o jornalismo como produto divide espaço no papel com inúmeras propagandas, isso para sobreviver ao mercado. Anos antes era mais facilmente alienado, podendo ser alterado para que falasse bem de determinado patrocinador, ou dono de jornal.

Hoje o número dos impressos diminuiu e o número de leitores na internet aumentou, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), de dezembro de 2014 a dezembro de 2017 no Brasil, houve uma redução de 41,4% nos impressos. Diminuir impresso significa menos anunciantes nos jornais, e com menos anunciantes, menos lucro.

Ao mesmo tempo que nas mídias digitais o jornalismo pode se livrar dos anunciantes, se tornando uma mídia mais “livre”, os anunciantes que ainda restam, podem determinar a qualidade das notícias nos jornais que querem se manter vivos no impresso.

A Internet abriu portas para o surgimento de mais “linhas editoriais”, se antes a Globo tinha o jornal que mais atingia o público brasileiro, hoje os leitores podem se manter fiéis ao jornalismo praticado pela Rede Globo ou procurar na internet vários outros com outros tipos de informação e correntes filosóficas.

Em entrevista ao GloboNews, Tom Rosentiel, jornalista, executivo do Instituto Americano da Imprensa, e co-autor do livro “A Nova Ética do Jornalismo”, contou que verifica sempre dois jornais. “Eu moro em Washington, mas leio tanto o New York Times como o Washington Post.

E se eles estiverem alinhados, eu confio na informação. Sou de uma certa geração e os leio no formato impresso e também digital. A minha filha, que é cientista política, nem toca em papel.

Ela acha que a maioria das publicações é tendenciosa e ela pega duas ou três que têm linhas diferentes e verifica se elas se alinham. Sim, é um produto, e há uma diferença entre apontar a câmera para um evento ao vivo — o que é tecnologia — e fazer escolhas: “Essa declaração é verdadeira, essa é falsa, ele se enganou ali” — o que é jornalismo.

O que eu busco numa publicação — e é por isso que recorro ao New York Times, por exemplo — é que ela dedique muito tempo, a despeito de seu ponto de vista editorial, tentando verificar os fatos. No fim das contas, o jornalismo é uma disciplina de verificação.

A coisa mais importante que o jornalismo nos dá é uma base de fatos precisos. Eu atribuo meu próprio significado à notícia, mas preciso saber o que de fato aconteceu.”

Manter o jornalismo livre de interesse é muito difícil, afinal comunicação é poder.

II — a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;

FAKE NEWS x PÓS-VERDADE x BOLHAS x JORNAIS

Tom Rosenstiel explica que o papel do jornalista continua o mesmo de verificar os fatos, porém, com a disseminação da Internet é muito corriqueiro o compartilhamento de notícias falsas, antes o jornalista tinha mais tempo para avaliar se um texto era falso ou não, assim lidando e freando o compartilhamento, hoje não. “Há 16 anos, se você cobrisse um evento, podia decidir não publicar por achar que era falso. Hoje, aquele evento é tuitado ao vivo. A pessoa no palanque pode dizer o que quiser. Pode ser uma grande mentira. Hoje, o seu trabalho como jornalista é me dizer: “Aquilo que ele disse e que você ouviu há uma hora e está se espalhando pela internet não deve ser levado a sério, eis o porquê.” Portanto a sua obrigação para ser um bom contador da verdade é a mesma, mas a forma de executar essa obrigação mudou radicalmente e exige mais de você. Antes, bastava pensar: “Acho que é mentira. Não vou divulgar.”

Um estudo realizado nos Estados Unidos pelo Massachussetts Institute of Technology (MIT), analisou cerca de 126 mil notícias que circularam pelo Twitter de 2006 a 2017. A notícias foram tuitadas por cerca de 3 milhões de pessoas e retuitadas mais de 4,5 milhões de vezes. As notícias foram analisadas por seis organizações independentes de checagem de fatos que apontaram quais eram falsas e quais eram verdadeiras. O estudo comprovou que a chance de uma notícia falsa ser repassada é 70% maior do que uma notícia verdadeira.

Os números são tão assustadores para os comunicólogos que o termo “Fake News” foi eleita a palavra do ano em 2017, ganhando vários encontros, fóruns e palestras para discutir como impedir tal avanço. De braços dados às fake news veio a pós-verdade.

No mês de abril do ano passado, a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) realizou encontro para discutir “O Papel da Mídia Brasileira na Era da Pós-Verdade”. O fórum discutiu o significado do termo “pós-verdade”, e as consequências no consumo de notícias. Segundo o dicionário Oxford, pós-verdade significa “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

A pós-verdade traz consigo o termo “bolha”, que é como duas opiniões diferentes que não argumentam, ficam presas em suas bolhas, elevando a crença pessoal e ignorando fatos. É por isso que a função do jornalista de lutar contra qualquer tipo de alienação é tão importante e difícil, nem o jornalismo está livre das pressões políticas e/ou ideologias pessoais.

Carlos Eduardo Lins e Silva, correspondente em Washington da Folha de São Paulo, diz que a tendência é o aumento da divulgação de notícias falsas: “o desafio é enorme e a única saída é o profissionalismo, amparado na checagem de informações”.

O combate contra essa onda de notícias falsas, segundo o jornalista e professor da USP, Eugênio Bucci, pode ser feito diariamente exercitando um jornalismo de qualidade: “[o jornalismo] nos parâmetros e nos cânones éticos da profissão, tende a produzir um ambiente de debate em que os fatos ficam mais acessíveis, o que pode desmontar a indústria da mentira e da pós-verdade”.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Barras, PI
26°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 41°

27° Sensação
7.88km/h Vento
68% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h30 Nascer do sol
05h41 Pôr do sol
Seg 41° 20°
Ter 43° 19°
Qua 40° 20°
Qui 42° 19°
Sex 41° 23°
Atualizado às 07h02
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 4,99 +0,02%
Euro
R$ 5,58 -0,10%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 438,665,84 +0,48%
Ibovespa
209,066,90 pts 1.38%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias