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Secretaria de Saúde e CAPS abrem a Campanha Janeiro Branco em Barras PI

O objetivo é colocar esse tema em evidência, promovendo a conscientização sobre a importância da prevenção ao adoecimento emocional — algo que gera impactos preocupantes em nossa sociedade

Redação Geral
Por: Redação Geral Fonte: Ascom Barras PI
22/01/2021 às 12h56 Atualizada em 22/01/2021 às 13h13
Secretaria de Saúde e CAPS abrem a Campanha Janeiro Branco em Barras PI
Ascom

Barras PI - A campanha do Janeiro Branco foi destaque hoje 22/01 durante lançamento no CAPS.

No evento estava a Secretária Luana Lages, coordenadora do CAPS Tia Sula e equipe de profissionais, além de pacientes. 

O que é o Janeiro Branco?

O Janeiro Branco é uma campanha que convida as pessoas a refletirem sobre a saúde mental.

O objetivo é colocar esse tema em evidência, promovendo a conscientização sobre a importância da prevenção ao adoecimento emocional — algo que gera impactos preocupantes em nossa sociedade.

 No primeiro caso, isso significa incentivar a autorreflexão sobre a própria vida, seus sentidos e propósitos. Já a nível institucional, a proposta é bem objetiva, de acordo com o manifesto da campanha: “sensibilizar as mídias, as instituições sociais, públicas e privadas, e os poderes constituídos, públicos e privados, em relação à importância de projetos estratégicos, políticas públicas, recursos financeiros, espaços sociais e iniciativas socioculturais empenhadas(os) em valorizar e em atender as demandas individuais e coletivas, direta ou indiretamente, relacionadas aos universos da Saúde Mental”.

Em outras palavras, reforça a importância de uma mudança de comportamento e mentalidade em vários níveis da nossa sociedade.

A urgência do debate em torno do tema é real, como mostram os dados de pesquisas realizadas em todo o mundo. Veremos um pouco mais sobre isso no próximo tópico.

 

O panorama da saúde mental no Brasil

A questão que motivou a criação da campanha é bem simples (e muito séria): as pessoas estão adoecendo em quantidade e ritmo preocupantes. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em torno de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão.

O número é equivalente a 5,8% da população, colocando o país em segundo lugar no ranking americano (atrás apenas dos Estados Unidos).

Estamos falando de uma doença mental que, segundo o estudo, pode alcançar de 20% a 25% das pessoas no Brasil. A ansiedade, por sua vez, afeta quase 20 milhões de brasileiros (cerca de 9,3% da população). Isso inclui o transtorno obsessivo-compulsivo, problemas de fobia, estresse pós-traumático e até mesmo ataques de pânico.

Já o suicídio é apontado pelo Ministério da Saúde como a quarta maior causa de mortes de jovens no país. São números expressivos e que, muitas vezes, ultrapassam outros indicadores relacionados à saúde e ao bem-estar da população.

Um dos problemas que a campanha Janeiro Branco busca combater, no entanto, é justamente a falta de conhecimento sobre o tema — além de outros obstáculos que dificultam a discussão.

Um diálogo necessário

Historicamente, a saúde mental foi tratada como um tabu na maior parte do mundo. Por mais que os últimos dois séculos tenham trazido grandes avanços nos estudos da Psicologia e da Medicina, o tema demorou para ser abordado como uma questão social.

No Brasil, por exemplo, a Reforma Psiquiátrica, que é um grande marco em relação a isso, só ocorreu em 2001 — e ainda enfrenta problemas.

Um deles é o fato de que, culturalmente, muita gente não compreende a subjetividade humana como um possível alvo de transtornos e até mesmo doenças. Por falta de conhecimento ou diversos outros motivos, parte das pessoas não tem o hábito de conversar sobre isso, por medo de se expor ou de demonstrar uma suposta fraqueza.

Hoje, entretanto, é consenso que a saúde emocional é tão importante quanto a “física” — na verdade, ambas estão profundamente atreladas.

O nosso organismo pode ser observado por uma perspectiva biológica ou psicológica, mas isso não significa que esses aspectos estão separados.

Como os profissionais da psiquiatria frequentemente apontam, uma parcela da população pode estar sofrendo de doenças emocionais sem nem ao menos saber disso. Andrew Solomon, um grande especialista no assunto, explica em seu livro O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão que “a maioria das pessoas que são pobres e deprimidas se mantêm pobres e deprimidas”.

O motivo é que elas acreditam que o problema faz parte das dificuldades da vida, quando, na verdade, podem estar doentes. Os efeitos colaterais negativos, por sua vez, vão muito além dos obstáculos que qualquer pessoa saudável enfrenta. “O oposto da depressão não é felicidade”, esclarece o autor, “mas vitalidade”.

Isso deixa muito claro que o Janeiro Branco desempenha um papel fundamental ao colocar o assunto em evidência.

Depressão, ansiedade e outros transtornos emocionais devem ser discutidos mais abertamente para que possam ser prevenidos e devidamente tratados.

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