
Atualizada às 12h45
As investigações realizadas no âmbito da operação Entrelaçados, deflagrada hoje pela Polícia Civil do Piauí, apontam que em um dos contratos firmados entre as empresas investigadas e a prefeitura de Batalha, no norte do Estado, havia um sobrepreço de mais de R$ 600 mil. Os recursos do pregão 19/2020 eram de origem federal e foram destinados para a compra de equipamentos de proteção individual e testes rápidos para a Covid 19.
O valor total da licitação era de R$ 1,2 milhão. A CGU analisou aproximadamente 81% dos itens contratados e verificou as irregularidades.
"A CGU fez uma análise amostral dos itens licitados. Eram 33 itens e a nossa amostra analisou 10 deles, que representavam 81% da licitação, cerca de R$ 1 milhão. Em relação a esses 10 itens, nós identificamos um sobrepreço de R$ 696 mil, aproximadamente. Não indicamos ainda superfaturamento, porque não identificamos, quando do levantamento, o pagamento da integralidade desses contratos que foram firmados com as quatro empresas contratadas no âmbito do pregão", destacou o o superintendente da CGU, Glauco Soares Ferreira.
Ainda durante as investigações, que começaram em 2019, a Polícia Civil identificou que as sete empresas que firmavam contratos eram de um mesmo núcleo familiar e apresentavam indícios de incapacidade de fornecer os itens contratos, que em sua maioria eram da área da saúde e escritório.
"Essa investigação partiu de uma requisição do Ministério Público, após verificar uma quantidade muito grande de recursos que eram pagos para duas empresas, inicialmente. A partir daí, a gente começou a fazer o levantamento dessas empresas, vimos que a capacidade operacional dela e vimos indícios de que as licitações poderiam estar sendo fraudadas. Com ajuda do TCE e da CGU, esses indícios iam se reforçando", explicou o delegado Denis Sampaio, titular do inquérito.
Ainda de acordo com o delegado, as empresas investigadas são comandadas por familiares e conseguiam ganhar licitações no município de Batalha.
"A gente verificou que todas as empresas foram recém criadas e logo em seguida ganhavam licitação no município de Batalha em valores muito elevados. Isso que despertou a suspeita de favorecimento a essas empresas", detalhou o delegado.
A partir dos materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (25), a Delegacia de Combate à Corrupção agora vai trabalhar para apurar se os contratos foram realmente executados e os itens realmente entregues à Prefeitura de Batalha
Contratos em outros municípios
O delegado Ferdinando Martins, titular da Delegacia de Combate à Corrupção, confirmou que as empresas investigadas na operação desta quinta-feira(25) também mantinham contratos com outras prefeituras.
"O nosso alvo, que eram três empresas, foi verificado de forma incisiva a preparação de disputa entre elas. Isso ficou caracterizado. Conseguimos constatar isso nessa busca e apreensão, constando que existiam contratações com outros municípios. Vamos tentar dimensionar a fraude, que é bem maior e não se restringe ao município de Batalha", afirmou o delegado.
Atualizada às 9h50
O coordenador da Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR), delegado Ferdinando Araújo, informou agora há pouco que a investigação descobriu que esposa e marido participavam da mesma licitação fraudulenta.
Hoje, a Polícia Civil/CGU/TCE cumpre 11 mandados de busca e apreensão em sete empresas suspeitas de corrupção.
Segundo o delegado, as irregularidades estão na compra de material contra a covid-19, material de limpeza e de escritórios.
“Tem um núcleo familiar de quatro pessoas que são irmãos e cunhados que criaram empresas recentemente e há indícios de licitação simulada”, afirmou o delegado.
Três agentes públicos investigados, o pregoeiro de Batalha, ex-secretário de saúde e administração também da cidade são alvos da operação.
Uma operação policial deflagrada na manhã desta terça-feira (25) investiga corrupção na compra de material na área da saúde (medicamentos, papelaria e material de limpeza).
As equipes policiais dão cumprimento a 11 mandados de busca e apreensão contra sete empresas, residências de empresários e de três agentes públicos. Os mandados acontecem nas cidades de Teresina, José de Freitas e Barras.
Os envolvidos são suspeitos de fraude à licitação, associação criminosa, e desvio de recursos públicos envolvendo contratações do município de Batalha.
A operação denominada Entrelaçados é da Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR) em trabalho conjunto com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e Controladoria-Geral da União (CGU).
De acordo com a Polícia Civil, a justiça já determinou o afastamento cautelar do Pregoeiro de Batalha.
“Os investigadores e auditores encontraram indícios de que ele ocupava o cargo de forma irregular, podendo estar diretamente envolvido nas supostas fraudes investigadas”.
Além disso, “os levantamentos preliminares feitos pela DECCOR e pelos órgãos de controle mostraram que as empresas alvos da operação possuem estreita ligação entre si, algumas dividindo inclusive o mesmo endereço, e sendo administradas por familiares próximos”.
O nome da operação faz referência ao estreito laço familiar mantido entre os supostos empresários e suas empresas.
O Cidadeverde.com entrou em contato com a Prefeitura de Batalha e aguarda posicionamento oficial. O Cidadeverde.com apurou que o setor jurídico está buscando mais informações sobre a operação.
Foto: Polícia Civil do Piauí
Segundo a investigação policial, “dados apontam que elas venceram licitações de 2017 a 2020, recebendo entre R$ 3 e 4 milhões por ano só do município de Batalha”.
A investigação também apontou que, “aparentemente, as empresas não possuem capacidade operacional para o fornecimento dos materiais licitados (material de limpeza, papelaria e medicamentos). Uma delas não possui sequer funcionário contratado”.
A Polícia Civil ressalta que “a investigação encontrou indícios de favorecimentos escusos, visto que algumas pessoas jurídicas foram recém-criadas e, mesmo assim, conseguiram vencer certames para fornecimento de grande quantidade de produtos. Também há suspeita de combinação de preços entre os licitantes para escolha dos vencedores




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