
Caso ocorreu em Minas Gerais; vítima tinha histórico de violência doméstica, e psicóloga explica como identificar relações abusivas e buscar ajuda
Uma mulher de 31 anos foi assassinada a tiros pelo marido, João Paulo Magela Teixeira, de 28 anos, em um sítio na zona rural de Funilândia, na região central de Minas Gerais. Após o crime, o homem suspendeu o corpo da vítima com uma corda e publicou imagens nas redes sociais. O caso ocorreu na noite de segunda-feira (19). O suspeito morreu após trocar tiros com policiais militares.
A vítima foi identificada como Gerssica de Souza Vieira. Segundo a Polícia Militar, o suspeito também enviou imagens do corpo ao filho do proprietário da fazenda, que acionou as autoridades. A ocorrência foi registrada como feminicídio, e o caso chamou a atenção para o histórico de violência doméstica envolvendo o casal.
COMO ACONTECEU?
De acordo com o tenente Rafael Santos, o sítio possui duas casas: uma utilizada pelo proprietário e outra onde João Paulo trabalhava como caseiro e morava com a companheira. O crime teria ocorrido na sede da propriedade, onde Gerssica foi atingida por disparos de arma de fogo.
Além das marcas dos tiros, a mulher apresentava hematomas pelo corpo. A dinâmica completa do crime não havia sido esclarecida. Após matar a companheira, o homem teria utilizado uma corda para suspender o corpo e, em seguida, retornado à residência onde morava, localizada a poucos metros do local.
Depois, João Paulo publicou imagens da vítima nas redes sociais. Em uma das postagens, escreveu: “É assim que vocês vão se lembrar dela”. O suspeito também teria enviado uma fotografia ao filho do proprietário do sítio, que procurou a polícia.
CONFRONTO COM A POLÍCIA
Quando os policiais militares chegaram à propriedade, encontraram João Paulo armado. Segundo o tenente Rafael Santos, o homem apontou a arma na direção dos agentes e efetuou disparos.
Os militares revidaram, e o suspeito foi baleado. Ele morreu ainda no local. Durante a ocorrência, foram encontradas uma espingarda calibre .22 e cápsulas de munição. Conforme informações repassadas à polícia, João Paulo teria trocado um veículo pela arma utilizada no crime.
Uma idosa, mãe de Gerssica, também estava em uma das casas da propriedade no momento do assassinato. Segundo a Polícia Militar, ela tinha a saúde debilitada e não percebeu o que havia acontecido. Os agentes acionaram a assistência social para garantir o acolhimento da mulher, que não tinha outro familiar disponível naquele momento.
Gerssica também deixa um filho adolescente, que não morava com ela.
HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Segundo a Polícia Militar, o casal já tinha registros de episódios anteriores de violência doméstica. A vítima era acompanhada por uma equipe especializada e estava na fase final do atendimento, conforme relatado pelo tenente Rafael Santos.
COMO IDENTIFICAR UMA RELAÇÃO ABUSIVA?
A violência doméstica nem sempre começa com agressões físicas. Em muitos casos, comportamentos de controle e intimidação aparecem gradualmente e podem ser confundidos com ciúme ou demonstrações de cuidado.
Entre os sinais de alerta estão:
Controle excessivo: a pessoa tenta decidir com quem a companheira pode falar, onde pode ir ou como deve se vestir.
Ameaças e intimidação: utiliza o medo, ameaças ou explosões de raiva para controlar as atitudes da parceira.
Humilhações: faz críticas constantes, desqualifica a vítima ou a responsabiliza pelos próprios comportamentos violentos.
Isolamento: dificulta o contato com familiares, amigos e outras pessoas que poderiam oferecer apoio.
Agressões físicas ou sexuais: envolve empurrões, tapas, socos, violência sexual ou qualquer contato sem consentimento.
Identificar esses sinais pode ajudar a reconhecer uma situação de risco. A responsabilidade pela violência, no entanto, é de quem a pratica, e não da vítima.
ONDE BUSCAR AJUDA?
Mulheres que vivenciam violência doméstica podem procurar apoio de pessoas de confiança, serviços de assistência social, unidades de saúde, centros especializados de atendimento e órgãos de proteção. O suporte psicológico também pode ajudar a compreender a situação e planejar os próximos passos com segurança.
Em situações de emergência, a orientação é ligar para a Polícia Militar, pelo número 190. Para receber orientações, conhecer os direitos e buscar informações sobre a rede de atendimento, é possível entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia.
A saída de uma relação abusiva pode ser dificultada por medo, ameaças, dependência financeira, isolamento e preocupação com os filhos. Por isso, é importante evitar julgamentos e oferecer acolhimento, respeitando o tempo e as condições de segurança de cada mulher.
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